terça-feira, 22 de setembro de 2009

A dor que dói mais

" A saudade mais dolorida é a saudade de quem se gosta. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para a aula e ele para o trabalho, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o sentimento de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ele continua adorando pizza. Não saber se ele ainda usa aquela camiseta que você tanto gostava. Não saber se ele foi fazer teste em mais uma banda. Não saber se ele tem tomado coca-cola, se continua jantando, ou se está comendo só uma saladinha, se ele ainda está aprendendo diversas coisas todos os dias, se ele continua um adorador de cerveja, se ele continua preferindo barzinho a balada, se ele continua sorrindo, se ele continua dedicado, se ele ainda pensa em você.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ele está feliz, se ele está mais magro, se ele está mais bonito. Saudade é nunca mais querer saber de quem se gosta, e ainda assim, doer. "

Martha Medeiros


volta.

1 comentários:

LARISSA MIRANDA disse...

(...)Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos(...)
VOLTA +1