domingo, 20 de setembro de 2009

O ônibus das seis e meia.


- Tem passagem moça? Pergunta a cobradora.
Ela, por sua vez, desperta de seus mais profundos e dolorosos pensamentos. Procura rapidamente por algumas moedas soltas para logo livrar-se dos olhares de reprovação da cobradora. Pensa ela que a mulher sabe o porquê dos seus olhos fundos, olheiras e cara de enterro. Entrega o dinheiro, recebe seu troco e vira para o lado da janela novamente, onde percebe que está no final de mais um dia.
Chegando sente uma imensa vontade de sair correndo, percebe que estar ali não era seu real desejo. Mas qual seria seu desejo? Era ele. Ela olha fixamente para seu destino, vai sabendo que um ombro amigo a espera. Alguns passos contados e lá estava ela, reincidindo ao passado. Ela queria se derramar em prantos. Seja forte - pensou ela.
A conversa ia e vinha, porém não saia do lugar, mesmas futilidades de sempre. Aquilo que estava em sua frente já era insuficiente. Em um rápido instante ela vê que aprendeu muito, está madura. Sente-se momentaneamente feliz.
Agora ela quer voltar para casa. Valeu a experiência...

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